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Toda família com algum poder aquisitivo quer a escola particular para seus filhos

13/09/2011

Sob o título "Os educadores", o jornalista Moacir Pereira destacou em sua coluna política no Diário Catarinense (4/9), a missão e a história de sucesso da escola particular em Santa Catarina. O comentário, alusivo ao cinquentenário do Sinepe-SC, segue abaixo na íntegra:

Nereu Ramos, o único político catarinense a assumir a Presidência da República, teve primorosa educação no Colégio Catarinense, o mais tradicional estabelecimento de ensino religioso do Estado. É, ainda, o que lidera o ranking na formação das maiores autoridades catarinenses em diferentes setores. Sua criação, em 1905, deve-se ao governador Vidal Ramos, um visionário da educação que incentivou os jesuítas a retornarem à Ilha de Santa Catarina, depois de experiências frustradas. Os jesuítas chegaram à antiga Desterro em 1553, expulsos de Portugal. Tiveram as primeiras atividades ligadas ao ensino em 1751.

Mas o sucesso como educadores veio mesmo no século 20. Durante décadas, o Catarinense só recebia alunos do sexo masculino. Permanece até hoje como uma das escolas modelos de Santa Catarina. Outro padrão de qualidade do ensino particular na Capital é o Colégio Coração de Jesus, mantido pela Sociedade da Divina Providência, instituição que completará cem anos de fundação no próximo mês de novembro. O colégio começou, bem cedo, identificado com o espírito de seus fundadores vindos da Alemanha, de educação plena de valores e princípios.

Por décadas só aceitava matrícula de alunas. Era um dos mais prestigiados e qualificados do Estado. E assim continua até hoje, depois de mudanças estruturais e de gestão. A sua existência deve-se, também, à formação de personalidades femininas marcantes nas instituições. Em 1947, em Tubarão, padre Leão João Dehon transformou-se num dos pioneiros no ensino religioso no Sul de Santa Catarina. Nascia por suas mãos e de um grupo de destacados professores o tradicional Colégio Dehon, que se orgulha, hoje, de ostentar um dos títulos mais cobiçados: “Maior média de aprovação nos vestibulares da UFSC e da Acafe”.

Ali nasceu, sob a liderança de Osvaldo Della Giustina e outros intelectuais, a Unisul, hoje uma das mais progressistas instituições de nível superior de Santa Catarina.


PLURALISMO

Na cidade de Brusque, o pastor Henrique Sandeeszki usou sua própria casa para oferecer instrução às crianças, a prioridade principal dos imigrantes alemães e questão de honra das igrejas luteranas. Em 1886, ele mesmo fundava a Sociedade Escolar Evangélica, a base do Colégio Cônsul Carlos Renaux, de Brusque, uma das maiores glórias da educação privada do Vale do Itajaí.

Estas quatro escolas formaram, em 1961, os pilares de fundação do Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina (Sinepe), que está comemorando jubileu de ouro.

Seu presidente, professor Marcelo Batista de Souza, mantém desfraldadas bandeiras antigas e novas postulações do ensino particular, outra marca do pluralismo e da diversidade que forma este rico mosaico cultural catarinense. Os quatro colégios refletem, também, o espírito desbravador e o valor da educação. Estas escolas surgiram do voluntariado, nasceram para educar sem fins lucrativos, eram a extensão das igrejas cristãs aqui instaladas e assumiram responsabilidades heroicas na formação de crianças e adolescentes. A conjuntura educacional catarinense revela outra fragilidade da cidadania. Todas as famílias que têm algum poder aquisitivo querem, invariavelmente, a escola particular para seus filhos. Até os mais pobres, se tivessem algum subsídio governamental, colocariam suas crianças nas escolas particulares. Há uma ideia clara de que ali o ensino é de melhor qualidade, há valores, princípios, família e formação espiritual. Mas os pais e a sociedade civil pouco fazem para fortalecer o sistema e preservar este modelo misto que é outro orgulho de Santa Catarina.

A escola pública continua carente de quase tudo, a começar por incentivos reais aos professores. Mas a rede particular também precisa ser mais conhecida da sociedade. E mais prestigiada pelas autoridades e pela classe política.

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