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Presidente do Sinepe afirma que ranking entre escolas traz malefícios para a educação

14/09/2011

Professor Marcelo diz não acreditar que Enem tenha capacidade técnica de avaliar qualidade da educação.

O cenário fica ainda mais preocupante quando parte da mídia, ao divulgar o resultado do Enem de forma simplista, sem uma análise técnica e acurada, cria ranking elegendo as "melhores" e as "piores". No que se refere às escolas particulares, as “piores”, segundo esta mesma listagem aleatória, estão muito acima da média nacional. Prova disso é que em Santa Catarina, por exemplo, as escolas particulares citadas como sendo as 10 “piores colocadas no Enem”, estão acima da média nacional de 511,21. Professor Marcelo Batista de Sousa, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de SC, também chama a atenção para as dimensões continentais do Brasil, um país de muitos contrastes, “daí ser extremamente duvidoso estabelecer um padrão de questões que avalie, ao final, o rendimento de educandos submetidos a diferentes tipos de prática pedagógica, diferentes na carga horária, na valorização desse ou daquele tema etc.”

Em sua opinião, torna-se impraticável qualquer tentativa de se estabelecer uma hierarquia correta do processo ensino-aprendizagem das escolas públicas e privadas em meio ao cenário tão multifacetado da realidade brasileira. Além disso, considerando “todo o imbróglio de logística”, disse professor Marcelo referindo-se ao fato, em 2009, quando a prova foi furtada de dentro da gráfica em que estava sendo impressa, e mais recentemente, no ano passado, quando mais um erro gráfico e uma troca no cabeçalho dos gabaritos provocaram tumulto no processo, ele indaga:
o caráter avaliativo não fica para trás? O ruim disso tudo, acrescentou, é que mesmo com critérios que muitas vezes beiram o absurdo, eles influenciam decisões importantes ligadas à educação. Por isso, uma maior discussão sobre como são feitos tais rankings se faz necessária e urgente.      
           
O presidente do Sinepe-SC desaconselha que as escolas participantes do Enem façam comparações com as demais. Ele frisa que o mais importante não é o resultado desse controvertido exame, e sim que cada escola informe a comunidade em que está inserida sobre o trabalho que desenvolve na melhoria do seu processo educativo e em busca da permanente excelência do ensino.
      
De acordo com o Enem, da lista de colégios com melhores desempenhos, entre primeiros um mil, apenas 7,4% não são particulares.

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