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Pesquisadores da Univali participam de expedição inédita no Atlântico Sul

03/05/2018

A expedição brasileira inédita vai realizar estudos ambientais na elevação do Rio Grande, localizada em águas internacionais do Atlântico Sul, a mais de 1,5 mil km da costa. A expedição faz parte do projeto de geologia marinha, coordenado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), com o apoio do Marinha do Brasil.

O grupo de cientistas embarcou no porto de Itajaí, para uma um jornada de 20 dias, a bordo do navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira, operado pela Marinha do Brasil. O Navio é equipado conta com modernos equipamentos de pesquisa, laboratórios e um veículo submersível não tripulado (ROV).

A expedição é uma nova etapa de coleta de dados oceanográficos, geofísicos, geológicos e biológicos do Programa de Estudos Ambientais para a Exploração de Crostas Ferromanganesíferas Ricas em Cobalto na Elevação do Rio Grande (Proerg).

Em 2015, a CPRM a Autoridade Internacional dos Fundos Marítimos (ISBA), órgão ligado à ONU, assinaram o primeiro contrato do hemisfério Sul que tem duração de duração de 15 anos. O contrato garante direito exclusivo ao Brasil de pesquisar o potencial mineral de crostas ricas em cobalto, níquel, platina, manganês, tálio e telúrio, em um bloco de áreas de 3 mil km² na região.

O geólogo da CPRM Eugênio Frazão, coordenador científico da expedição conta que o objetivo agora é estabelecer uma linha base ambiental que vai "reunir conhecimento suficiente sobre os ecossistemas associados às áreas de exploração das crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto, para garantir antes de qualquer ação antrópica, a sustentabilidade desses ecossistemas e a preservação do meio ambiente", afirmou.

O coordenador executivo da Divisão de Geologia Marinha da CPRM, oceanógrafo Ivo Pessanha, destaca a importância do protagonismo da CPRM em águas internacionais com o Proerg, projeto estratégico para o governo, coordenado pela instituição. "Trata-se do quarto contrato de crosta do mundo e o primeiro firmado no Hemisfério Sul de direitos exclusivos, colocando o Brasil em um seleto rol de países que requerem e estabelecem pesquisas em áreas internacionais". Entre eles, Rússia, Noruega, França, China, Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

Desenvolvimento tecnológico - A iniciativa estimula o desenvolvimento científico e a criação de um parque tecnológico capaz de desenvolver novas tecnologias e equipamentos de ponta para dar suporte aos trabalhos de pesquisa. A proposta da CPRM envolve também universidades e a cooperação com outros países, fortalecendo assim as relações internacionais, técnicas e científicas.

Capacitação de recursos humanos - A qualificação de profissionais para atuar em águas profundas é outra aposta audaciosa. O contrato inclui o compromisso brasileiro em oferecer oportunidades de treinamento para técnicos de países em desenvolvimento. A ideia é fomentar a iniciação científica, a geração de conhecimento e a capacitação de especialistas para que o país possa estar apto a pesquisar e explorar minerais em águas profundas. Até o momento o projeto envolveu cerca de 80 pesquisadores de diversas instituições e universidades.

Investimento - Nos últimos cinco anos foram investidos cerca de R$ 60 milhões em pesquisas no Atlântico Sul. Esses recursos vieram do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para desenvolver o plano de trabalho previsto no contrato serão necessários mais de US$11 milhões.

Aprovação da proposta brasileira - Aconteceu durante a 20ª Sessão Anual do Conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA), realizada em agosto de 2014, em Kingston, na Jamaica, do qual participam mais de 160 países. A proposta brasileira se destacou pela forte integração entre meio ambiente e geologia.

Histórico - Resultado de nove anos de estudos da CPRM, que contou com a participação de equipe multidisciplinar das áreas de geologia, biologia, geofísica e oceonografia. O projeto de geologia marinha desenvolvido pela CPRM vai aumentar o conhecimento estratégico sobre recursos existentes em águas internacionais próxima à plataforma continental jurídica brasileira.

Considerado estratégico pelo governo, o projeto de geologia marinha está inserido no Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (Proarea), que busca identificar áreas de valor econômico e de importância político-estratégica para o País na área internacional do Atlântico Sul e Equatorial.

Desde 2009 foram realizadas diversas expedições ao Alto do Rio Grande para coleta de dados que envolvem batimetria, gravimetria, magnetometria, filmagem do assoalho oceânico e sísmico. Nesse período foram coletadas ainda 18 toneladas de amostras geológicas numa área de 132 mil km2.

Elevação do Rio Grande - A Elevação do Rio Grande é uma feição positiva do Atlântico Sul, que alcança profundidades mais rasas que 1 metros de profundidade e é circundada por assoalho oceânico com profundidades médias de 4 metros. A Elevação do Rio Grande está além dos limites da plataforma continental jurídica brasileira, ou seja, está em águas internacionais, uma região conhecida como área considerada patrimônio da humanidade.

Com informações da Assessoria de Comunicação do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

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