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MENSALIDADE ESCOLAR: catarinenses pagam menos por mais

01/12/2010

Transcrito do Diário Catarinense, por (alicia.alao@diario.com.br) ALÍCIA ALÃO
Edição de 25 de novembro de 2010.

Escolas de SC melhor classificadas no Enem têm valores muito mais em conta do que instituições de outros estados.

O reajuste das mensalidades escolares, mais uma vez, subirá acima da inflação projetada para 2010. A boa notícia é que o catarinense paga menos para ter acesso a um ensino de qualidade, se for comparado com os valores cobrados em colégios similares de outros estados.

Areportagem comparou os preços das mensalidades do terceiro ano do ensino médio e da 8ª série do ensino fundamental das 10 escolas particulares catarinenses mais bem colocadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 com os respectivos rankings de Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo (veja quadro na página ao lado).

Mesmo em relação aos demais estados do Sul, que obtiveram desempenho geral parecido na prova, as escolas de SC apresentam a melhor relação custo-benefício. Na média, os pais ou responsáveis catarinenses desembolsarão R$ 550,49 mensais em mensalidades para alunos do terceirão em 2011, por exemplo. A quantia é 36% menor do que devem gastar paranaenses (R$ 750,67) e 19% abaixo do que pagarão gaúchos (R$ 654,17). Isso significa uma economia anual de até R$ 2,4 mil por aluno apenas em mensalidades.

Um caso concreto é comparar as escolas número um de cada Estado. Na Associação Educacional Luterana Bom Jesus (Ielusc) de Joinville, frequentar o último ano do ensino médio custará R$ 612 por mês em 2011. O preço está 10% menor do que cobrará o Colégio Marista Santa Maria, de Curitiba (R$ 673,33) e 36% mais em conta que no Colégio Sinodal, da cidade gaúcha de São Leopoldo (R$ 834). Sem levar em conta itens como taxa de matrícula e material escolar, a diferença chega a R$ 2.650 em um ano.

Se a comparação for feita com as escolas do eixo Rio-São Paulo, essa diferença, que já não é desprezível, cresce significativamente. Doze das 20 melhores instituições de ensino no Enem 2009 estão na Região Sudeste. No Rio de Janeiro, o Colégio de São Bento, melhor desempenho do país, ainda não divulgou a tabela para 2011, mas a mensalidade cobrada para alunos do terceirão foi de R$ 1.917 este ano. A variação da nota foi de apenas 8,35% em relação ao resultado da Ielusc, mas o preço é 213% mais caro.

Em São Paulo, onde as escolas mais tradicionais não custam menos do que R$ 2 mil e a concorrência é tão grande que, em alguns casos, são realizados os chamados vestibulinhos três meses antes do fim do ano letivo, a diferença de preço pode bater nos 350%.

Preços obedecem oferta e procura

Não existe uma tabela nacional de mensalidades escolares e o Sindicato dos Estabelecimentos Privados de Ensino do Estado (Sinepe-SC) afirma não divulgar nem acompanhar reajustes das mensalidades. Mas na avaliação de Marcelo Batista de Souza, presidente da entidade, os colégios catarinenses praticam preços mais baixos do que outros importantes centros urbanos do país por uma questão de oferta e procura.

– Se o mercado permitisse, as escolas catarinenses poderiam chegar a um custo muito superior do que conseguem cobrar pela qualidade do ensino que oferecem. Mesmo com essa realidade econômica, as escolas privadas conseguem se sobressair no cenário nacional – observa Souza.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, de 2009, 13,1% dos estudantes brasileiros estão na rede privada de ensino. No Estado, esse índice é de 10,11%. O Enem é uma prova criada pelo Minstério da Educação como exame de acesso ao ensino superior em universidades brasileiras e como ferramenta para avaliar a qualidade geral do ensino médio.

Como a prova é voluntária, especialistas dizem que não pode ser a única fonte de comparação entre colégios. Aqueles com menos de 2% de participação de estudantes no exame não têm as suas médias divulgadas.


MENSALIDADE ESCOLAR: Infraestrutura acima da média


A assessora administrativa Lívia Miranda, 48 anos, sente o problema no bolso. O filho de nove anos está matriculado numa escola no Centro da Capital. A mensalidade de R$ 259 não sofre reajuste há dois anos, mas a escola vai fechar e Lívia terá de pagar mais.

A dificuldade é encontrar escolas próximas ao local de trabalho da assessora com preços compatíveis ao salário. No Centro, os preços são mais altos do que nos bairros.

Lívia contabiliza não só a mensalidade, mas também os gastos com uniforme e material escolar.

– Os valores estão entre R$ 500 e R$ 600, e fica pesado para quem trabalha. Procuro uma particular porque nas públicas não têm vaga, especialmente à tarde – reclama.

O presidente do Sinepe, Marcelo Souza, argumenta que as escolas catarinenses estão melhor equipadas do que a média nacional.

De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as escolas privadas do ensino fundamental de SC têm mais bibliotecas próprias e quadras de esportes do que a média nacional.

Todas as escolas privadas de ensino fundamental em SC têm bibliotecas próprias, contra 76% da média brasileira. Em SC, 89% têm quadras de esporte, contra 59% no Brasil e 85% na Região Sul.

Não há uma pesquisa formal quanto aos reajustes médios praticados no Estado. Sabe-se que, há dois anos, os preços sobem até 10% nos colégios de SC. Os índices de reajuste das mensalidades superaram a inflação, que em 2009 ficou em 4,3% e em 2008, foi de 5,9%.

O índice oficial de inflação deve fechar o ano em 5,58% (medido pelo IPCA, divulgado pelo IBGE), segundo previsão do mercado.

Em SC, os reajustes das mensalidades variam entre 5,8% e 8% para 2011, de acordo com as escolas consultadas pela reportagem. Em comparação, no Espírito Santo, o reajuste médio será maior, de 11%, mas pode chegar a até 15%. No Distrito Federal, varia de 7% a 14%. No Rio de Janeiro, a média fica em 9% e, em São Paulo, varia entre 6% e 8%. Em Pernambuco, o índice de aumento fica mais próximo ao catarinense, entre 5% e 7%.

Os valores de mensalidades na Capital e no interior variam bastante. Os custos de manutenção, especialmente o IPTU de onde as escolas estão localizadas, interferem na planilha de custos dos estabelecimentos de ensino.

Em SP, o Colégio Alphaville, em Campinas, é o quarto melhor do país, e cobra R$ 1,5 mil a menos do que o primeiro da lista, o Colégio Vértice, da capital paulista.


MENSALIDADE ESCOLAR: Sequência de altas em SP


Nas escolas de ensino fundamental de São Paulo, este será o nono ano consecutivo em que o aumento da mensalidade vai superar a inflação, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A capital paulista é a única cidade em que a Fipe faz o comparativo.

O reajuste médio das particulares em São Paulo deve ficar entre entre 6% e 8% para 2011, segundo o sindicato das instituições particulares.

A mensalidade do ensino fundamental foi a que mais aumentou entre os anos de 2000 e 2011, com alta acumulada de 125%, segundo a Fipe e o sindicato. Se o reajuste acompanhasse a inflação do período, ficaria em 99%.

O ensino médio e a pré-escola também superaram a variação da inflação, com reajustes de 119% e 115%, respectivamente.

Divulgação do Enem fez subir mensalidades

Entre as 10 escolas mais tradicionais da capital paulista, há instituições que projetam aumento acima do previsto pelo sindicato.

A Escola Nova Lourenço Castanho, 10ª melhor do Estado de São Paulo, as mensalidades do 1º ao 5º ano do fundamental subirão 11% e os alunos terão de pagar R$ 1.794 de mensalidade.

O Colégio Móbile, o segundo melhor da cidade, reajustará em 10% a mensalidade do 6º ano do fundamental. Mas os pais arcaram com reajuste de 17% em 2010, o que represente aumento de 27% em dois anos.

Os resultados do Enem impactaram no reajuste das escolas melhor colocadas no ranking. O colégio paulista Vértice, com a melhor nota do país, aumentou seus preços em 53% desde 2006, quando o ranking Enem começou a ser divulgado pelas escolas. 

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