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Falta de educação. Por isso, professores e educadores têm reclamado muito do que chamam de terceirização da educação

30/10/2012

 

Leda Nagle: Falta de educação

Brasileiro tem um jeito, digamos assim, diferente de ser. Não temos muito apreço à educação do dia a dia. Algumas regrinhas de bom gosto são deixadas de lado sem o menor constrangimento. Tipo pedir licença para passar, quando tem alguém na sua frente. Agradecer quando pede algo a alguém ou termina uma compra. Pedir por favor também anda cada vez mais raro.Você já reparou como é difícil sair do elevador antes que a pessoa que quer entrar se abolete dentro dele, sem a menor cerimônia, e, mais grave, sem a criatura demonstrar o menor sinal de que da próxima vez não fará do mesmo jeito? E os que entram no elevador de mochila, dobrando sua circunferência e dando com a mochila em cima do vizinho de viagem? Eles também não parecem incomodados. 

 

E ainda tem os que gritam o número do andar que vão para quem está mais perto dos botões de comando, como se todo mundo fosse obrigado a apertar o botão por ele e para ele. E tudo assim com uma naturalidade de dar nos nervos. E se o elevador para no playground, os dois adolescentes que se jogam lá dentro dão soquinhos na bola que ameaça fugir do controle deles em direção a você, como se qualquer um que lá dentro está fosse completamente invisível. Mas é claro que não é só no elevador.

A criança que entra, aos gritos, no café, onde você está revendo uma velha amiga, pedindo o que quer comer, arrastando pelo braço a mãe que nada diz, porque está ocupada, aos berros, com alguém no celular, também não vê ninguém. Só vê ela mesma. Tropeça na mesa vazia, quase derruba a garçonete solícita e não recebe nem um discreto toque sobre seu comportamento. Aliás, já se foi o tempo em que se educava uns e outros. Agora é cada um fazendo o quer.

Professores e educadores têm reclamado muito do que chamam de terceirização da educação. A família transfere para o colégio, para as babás, para os avós, para os primeiros que aparecerem, a educação e formação dos seus filhos, alegando que não se pode traumatizá-los. Se estou entendendo direito, nós é que estamos ou vamos ficar traumatizados com o que estamos vendo e vivendo.

Não que a gente queira traumatizar alguém, mas ninguém fica doente ou mal da cabeça porque aprendeu a falar por favor, obrigada ou com licença. Ninguém tem que fazer análise porque aprendeu que antes de entrar no elevador deve esperar a pessoa que está lá dentro sair. Tratar bem, com educação, quem presta serviço também não traumatiza ninguém. Pedir desculpas quando se esbarra em alguém também não mata. Nem engorda. Nem é coisa de gente careta ou antiga. E, antes que me acusem de estar ultrapassada, quero avisar que dar bom dia, boa tarde, boa noite também é muito antigo e, ao que consta, nunca causou transtornos psíquicos a ninguém. (Transcrito de o.dia.ig.com.br)

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