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Danos causados pelo uso da maconha podem trazer lesões permanentes no cérebro

11/09/2012

UMA VIAGEM PERIGOSA
Será que maconha “não dá nada”? Psiquiatras afirmam que a droga mais consumida do mundo pode trazer lesões permanentes no cérebro Que boa parte dos adultos fuma ou já fumou maconha, não é nenhuma novidade. Que ela causa efeitos para a cognição e cérebro, também não. Mas enquanto cientistas e usuários divergem em posições antagônicas extremistas que passam pelo viés do proibicionismo ou da legalização, milhares de pré-adolescentes seguem experimentando a droga e seguindo o trilho da falta de informação, com o sentimento de impunidade de que o hábito não terá consequências posteriores.

No Brasil, atualmente cerca de 7% da população adulta já experimentou a Cannabis sativa, representando oito milhões de pessoas. Para avaliar uso frequente, considera-se o uso no último ano, e neste quesito se enquadram 3% da população adulta, o equivalente a mais de 3 milhões de pessoas (o Brasil tem uma população de 192 milhões). Não é muito, de acordo com o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos.

“Trata-se daquela história do copo meio cheio, meio vazio. Por um lado, é muita gente. Por outro, encerra-se definitivamente a conversa do ‘todo mundo puxa fumo’. Não só não é todo mundo, como trata-se de uma parcela reduzida da população”, afirma o especialista.

O problema está na idade de início do consumo: mais de 60% dos usuários experimentaram a droga antes dos 18 anos. A escalada do consumo está associada ao cigarro e álcool e ocorre por volta dos 12 anos, na classe média, explica a psiquiatra Fernanda de Paula Ramos. Em classes sociais mais baixas, vem muito antes, por volta dos sete anos. A tendência, segundo a especialista, é que, após experimentar a maconha, o adolescente siga para o consumo de outras drogas, como cocaína e crack.

A médica afirma que, entre os principais efeitos, está a redução do desempenho acadêmico.

“Dos usuários, um número menor de jovens consegue finalizar o colégio e tem baixa no desempenho profissional. Também aumenta taxa de desemprego. O que se sabe é que, quanto maior for o uso em relação a quantidade e frequência, aumentam as chances de problemas.”

Segundo especialistas, a maconha traz prejuízos em uma série de aspectos psíquicos: ela aumenta de duas a seis vezes as chances de alguém ter distúrbios psicóticos, incluindo a esquizofrenia. A erva também faz dobrar a chance de sintomas depressivos e triplica a chance de tentativas de suicídios. Em pacientes com bipolaridade, aumenta a chance de ter distúrbios e, de todas as drogas, é a que mais está associada a psicose.


LARA ELY


Prevenção é aposta para reduzir de danos. (...)  uma pesquisa conduzida pela Duke University, nos Estados Unidos, aponta que o uso contínuo da droga causa redução na capacidade cognitiva, sobretudo quando o hábito iniciou antes dos 18 anos de idade.

Esta é a conclusão de um levantamento que analisou mil pessoas na Nova Zelândia desde o nascimento até os 38 anos de idade. Assim, foi possível comparar os resultados de testes de inteligência realizados aos 13 anos, antes que eles começassem a usar maconha, com a pontuação conseguida na fase adulta. Entre um teste e outro, alguns participantes se tornaram consumidores habituais da droga.

O estudo mostrou que aqueles que usaram a droga por mais tempo perderam, em média, seis pontos de QI na fase adulta. Neste grupo, pessoas que começaram a fumar maconha antes dos 18 anos tiveram uma perda ainda maior: de oito pontos no teste.

A falta de programas de prevenção é, na opinião dos especialistas, o que prejudica o aumento do consumo nessa faixa etária. Segundo ela, a maconha ainda é considerada inócua.

“O pessoal ainda tem uma visão do passado, quando tinha menor concentração do THC. Como hoje o livre arbítrio está em alta, cria a impressão de que a maconha não é tão ruim. Usam sem pensar nos impactos”.

O psiquiatra Sérgio de Paula Ramos diz que a prevenção é mais segura do que a legalização. Ele explica que, nos locais onde houve política de abrandamento dos controles sociais das drogas, houve aumento do consumo, como ocorreu nos EUA e em Portugal: “O Brasil falha por não tratar o assunto preventivamente nas escolas. Esta é a saída”.

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