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Brasileiros desembolsaram R$ 62,8 bi com educação em dois anos, com aumento de 7,53%. Nova classe média foi destaque
08/02/2012
Nos últimos dois anos, os brasileiros passaram a gastar mais - bem mais - com sua própria formação educacional ou com a educação dos filhos. Segundo o Instituto Data Popular, o valor destinado a esse fim aumentou 7,53% no país, desde 2010. Nesse período, a nova classe média brasileira, com rendimento familiar entre R$ 1.064 e R$ 4.591, que já dominou o mercado de consumo no Brasil, voltou os seus gastos para o aprimoramento cultural, investindo R$ 28,1 bilhões em matrículas, mensalidades e material escolar. O montante representa 44% dos gastos totais destinados à educação no país, que somam R$ 62,8 bilhões no período. Os dados foram obtidos pelo Data Popular por meio de projeções feitas a partir de cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Enquanto a nova classe média aumenta sua participação sobre os gastos totais com o setor, a contribuição da alta renda recua, aponta o instituto. No período, a participação da classe C no total de gastos dos brasileiros com educação saltou de 38,9% para 44,7%. Enquanto isso, a alta renda foi o grupo social que mais perdeu participação, saindo de 57,7% em 2010 para 51,6% neste ano. Trata-se de uma aposta na melhoria da qualidade de vida e no futuro, mas os resultados podem demorar a se transformar em realidade. Casado e com uma filha, o engenheiro Fabrício Coelho se formou no ano passado numa universidade particular da capital mineira. Com o diploma nas mãos, ele pediu demissão da fábrica de pão de queijo onde trabalhava com carteira assinada e salário mensal de cerca de R$ 1,2 mil e hoje faz estágio no Ministério Público do Trabalho, onde recebe R$ 800 por quatro horas de jornada. O sonho dele é conseguir colocação profissional adequada à formação de nível superior recém adquirida. "Estou batalhando uma vaga na minha área. Apesar de ser engenheiro formado, não está fácil", diz. Na família do taxista Leonardo Virgílio Simões educação também é investimento. Por mês ele desembolsa R$ 450 para pagar a escola particular dos dois filhos. Aos 11 anos, Bianca Bruna nunca passou pela educação pública, e aos 6, Thales Henrique inicia a vida escolar também na rede privada da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A mensalidade pesa no orçamento mensal da família, consumindo quase 13% dos recursos. "Fizemos esta opção pela qualidade do ensino e para fugir das greves, que prejudicam muito os alunos, não pensamos em recorrer à rede pública", diz Leonardo Simões. Para manter o custo da educação em dia, a família corta em outras despesas como lazer e viagens. Leonardo Virgílio considera que os filhos serão recompensados pelo esforço. Assim, a expectativa é de que a educação passe a consumir 23,5% do orçamento da família este ano. "Pretendo matricular minha menina no curso de inglês e o menino na natação", diz o taxista. Ele já fez pesquisas de preços e calcula que vai desembolsar outros R$ 300 com as atividades complementares. Se a situação financeira apertar durante o ano, Virgílio Simões garante a educação particular será a última opção para sofrer cortes ou restrições. Renda melhor leva à escola particular "Para a nova classe média brasileira, a escola particular oferece não apenas um estudo de qualidade, mas a garantia de que o filho está sendo monitorado de forma adequada", explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular. (Por Zulmira Furbino e Marinella Castro, de ESTADO DE MINAS.)
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