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:: O que dizer para quem não quer frequentar a escola


22 de janeiro de 2010. | N° 652AlertaVoltar para a edição de 22/1/10 por Elizete Feliponi* Recentemente, o “Jornal Nacional”, da TV Globo, divulgou mais uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o índice de jovens nas escolas e universidades. Menos da metade, 48% de estudantes entre 15 e 17 anos, está frequentando o ensino médio e um número menor ainda, 13% dos jovens entre 18 e 24 anos, está no ensino superior. Isso já foi dito, já sabemos de todas as barreiras a serem vencidas; aguardamos políticas educacionais eficientes e eficazes; sonhamos com a tão almejada educação de qualidade para todos, mas é preciso mais. Talvez o que ainda não foi dito a todos os estudantes, desde a educação infantil até a pós-graduação, é o “porquê” de precisarmos ir para a escola. Os motivos são inúmeros. Detenhamo-nos em alguns, porém, não em ordem de importância, pois todos são singulares. a) Escolaridade é um direito, é lei e deve ser cumprida. Logo, o poder público deve suprir esta demanda, realidade nem sempre satisfatória. b) Frequentar a escola é um dever do aluno. Sim, dever, e deve ser cumprido com responsabilidade, empenho e concentração. Ir para a escola só para desfilar na hora do recreio, gastar fortunas com materiais escolares ou imitar o mundo da novela “Malhação” é rasgar o dinheiro da família e extirpar preciosos anos de vida, os quais encontram-se em efervescência, com as conexões neurais buscando desenvolver e aprimorar as capacidades e habilidades que evaporam através dos poros. c) Está comprovado que, de acordo com o número de anos de estudos, o trabalhador recebe significativo aumento no salário. Então, dá retorno financeiro, sim, mesmo que seja a longo prazo. d) Não adianta esperar a prosperidade financeira cair do céu. Uma parcela insignificante da população mundial detém uma boa fatia de toda a riqueza existente; outra parcela insignificante ganha na loteria, mas nem todos sabem administrar a fortuna; outros já fazem parte de um seleto grupo que faturam quantias mirabolantes: Ivete Sangalo, Xuxa, Gisele Bündchen e duplas sertanejas, mas quase 7 bilhões de pessoas não podem ter o mesmo destino. Logo, se você não nasceu agraciado pela beleza física ou com o canto de um rouxinol, é melhor estudar. e) Nas escolas, trabalham profissionais que estudaram para fazer o que fazem e com certeza se dedicam e fazem o melhor que podem frente às adversidades. Portanto, valorizar essa prática com respeito e estudo são atitudes dignas do bom cidadão. Assuntos de roda de conversa também são delicados. Adolescentes estão ávidos por falas do tipo “não precisei estudar para ter a empresa que tenho” ou “não fiz faculdade e ganho mais que você”. Pronto, isso é um prato cheio e se torna a principal desculpa para aquele estudante avesso aos bancos escolares. Cada um de nós conhece um sujeito que construiu patrimônio na condição de analfabeto. Mas são exceções, não são regras, a maioria não nasceu predestinado para isso. Se nossos adolescentes ainda não perceberam, devemos dizer a eles que a nossa dinâmica social é altamente excludente. As portas se abrem com facilidade para quem é educado, tem cultura e conhecimento. Querer sempre aprender e ser curioso são atitudes de grandes personagens que fizeram e fazem história: Jesus, ex-presidentes, Barack Obama, Oscar Niemeyer, entre outros. Não podemos esquecer da Madonna, por exemplo, que tem uma das maiores fortunas do mundo e está sempre aprendendo: escreveu um livro para crianças. Já Bill Gates, que dispensa apresentações, adorava desobedecer seu pai: quando este lhe mandava ler determinado número de livros nas férias, ele desobedecia e lia o dobro. Fez o que fez e continua fazendo. Neste imenso País, temos de tudo: tem aquele que não estuda por falta de escola; tem aquele que não tem vontade; tem aquele estuda obrigado pelos pais, tem aquele que “tanto faz como tanto fez”. Focamos nossa atenção nos bons estudantes: como está a maioria? feeling_ef@yahoo.com.br *PROFESSORA E ESTUDANTE DE NEUROPSICOPEDAGOGIA

 

 

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